Resposta direta
As quatro grafias representam funções diferentes na frase: perguntar a razão, apresentar uma explicação, encerrar uma pergunta ou nomear o motivo. O espaço e o acento ajudam a marcar essas funções.
Perguntar e explicar
Use “por que” em perguntas diretas, como “Por que chove?”, e em perguntas indiretas, como “Quero saber por que chove”. Também aparece quando a expressão equivale a “pelo qual” e suas variações. Já “porque” costuma introduzir resposta ou causa: “A rua molhou porque choveu”.
O teste prático é procurar o papel da expressão. Se cabe “por qual razão”, em geral a forma separada é candidata. Se cabe “pois” ou “já que”, a forma junto costuma funcionar.
O acento muda o quê?
No fim de uma frase, imediatamente antes da pontuação, usa-se “por quê”: “Você saiu por quê?”. O acento marca a tonicidade nessa posição. Quando a palavra significa “motivo” e funciona como substantivo, usa-se “porquê”: “Explique o porquê da escolha”.
Uma frase pode ter mais de uma forma: “Por que você faltou? Porque precisei sair. Entendeu o porquê?”. Em vez de decorar quatro slogans, observe se você está perguntando, explicando ou nomeando a razão.
A exceção que vale guardar
“Por que” também pode significar “pelo qual”: “As razões por que lutamos”. Essa construção é menos comum na conversa cotidiana, mas aparece em textos formais. O contexto resolve melhor do que a posição isolada da palavra.
Teste a função em uma conversa inteira
“Quero entender por que você saiu.” A frase não termina em ponto de interrogação, mas contém uma pergunta indireta: quero saber por qual razão. “Saí porque estava tarde.” Aqui aparece a explicação, substituível por “pois estava tarde”. “Você saiu por quê?” A expressão interrogativa termina a frase e recebe acento. “Não entendi o porquê da saída.” Agora podemos trocar a palavra por “motivo”.
Essas substituições são pistas, não uma ordem de reescrever toda frase. A construção “a estrada por que passamos”, por exemplo, equivale a “a estrada pela qual passamos” e conserva a forma separada. Quando duas opções parecem servir, leia a frase inteira e identifique a relação gramatical, em vez de decidir só pela presença de uma pergunta.
A função decide a grafia
O “por que” separado aparece quando a expressão introduz a razão procurada: “Por que a rua alagou?”. Ele também aparece em pergunta indireta: “Não sei por que a rua alagou”. O ponto de interrogação, portanto, não é o único teste. A forma “porque” junta a explicação: “A rua alagou porque a água se acumulou mais rápido do que escoou”. Nesse caso, trocar por “pois” costuma preservar a relação causal.
No fim de uma frase ou antes de uma pausa forte, a pergunta pode usar “por quê”: “A rua alagou por quê?”. O acento marca a tonicidade da palavra nessa posição. Já “porquê” funciona como substantivo, em geral acompanhado de artigo ou outro determinante: “Quero entender o porquê do alagamento”. A frase fala do motivo como uma coisa que pode ser nomeada, discutida ou investigada.
Três armadilhas em textos reais
A primeira é achar que toda pergunta termina com “por quê”: no começo de “Por que aconteceu?”, a forma continua sem acento. A segunda é escrever “porque” em pergunta indireta, como “Explique por que isso ocorreu”, confundindo o pedido de explicação com a conjunção que a fornece. A terceira é decorar as quatro formas sem observar a frase. Ao revisar um texto, localize primeiro o papel da expressão: pergunta pelo motivo, explicação, pergunta na posição final ou nome do motivo. Só depois escolha espaço e acento.